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  • Ricardo Pinho

Obesidade em idosos: contribuições do exercício físico


A obesidade é resultante de um acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal que apresenta riscos reais à saúde e que torna o indivíduo idoso mais vulnerável à comorbidades. As causas da obesidade são multifatoriais e podem incluir fatores sociais, genéticos, metabólicos, alimentares (dieta pobre em nutrientes e ricos em gorduras e açucares), sedentarismo, entre outros. Somados a isso, o envelhecimento per se tende a favorecer a obesidade porque essa fase da vida é acompanhada por alterações na composição corporal. Por exemplo, a massa corporal livre de gordura (composta principalmente por músculo esquelético) declina em 40% entre as idades de 20 e 70 anos e, em consequência ocorre uma redistribuição e acúmulo da gordura com depósitos expressivos na região visceral, no músculo esquelético e no fígado. Essa redistribuição da gordura corporal torna o organismo da pessoa idosa mais susceptível às doenças relacionadas com a obesidade. Além disso, a diminuição da massa muscular com consequente diminuição da força ou da função do músculo leva o indivíduo idoso à sarcopenia, um processo multifatorial que se manifesta no envelhecimento. A prevalência da sarcopenia tem aumentado em todo mundo e promove resultados adversos à saúde como redução da mobilidade, aumento da fragilidade e surgimento de doenças crônicas do envelhecimento. A expectativa da Organização Mundial de Saúde é que até 2030, 20% da população será representada por idosos (acima de 65 anos) sendo que metade desses idosos serão obesos. Essa situação tem trazido implicações sociais e econômicas e tende a torna-se um dos principais problemas clínicos que afetam os idosos.


Modificações no estilo de vida são cruciais no tratamento da obesidade do idoso que consiste, de dieta e exercício regular. Entretanto, a adoção de uma dieta e exercícios para perda de peso em idosos com sarcopenia ainda está em debate devido ao fato de que a perda de peso nessa população pela dieta promove também uma maior perda da massa muscular e óssea, o que pode agravar o quadro de sarcopenia. Nesse contexto, a prescrição de exercícios deve considerar para além da frequência, duração e intensidade do esforço, também o tipo de exercícios. Com isso fica a pergunta, qual tipo de exercícios é melhor para essa população? A resposta para essa questão ainda não está clara e necessita de investigação. Mas, evidências recentes apontam para um caminho. Um grupo de pesquisadores publicaram recentemente um artigo em uma das mais respeitadas revistas científicas na área de metabolismo (Cell Metabolism 30, 261–273, 2019). Nesse estudo, idosos obesos participaram, durante 6 meses, de um programa para perda de peso que incluía controle nutricional (dieta para perda de peso) e exercícios aeróbios ou exercícios de resistência (força muscular) ou exercícios combinados (aeróbios e de resistência). Os autores concluíram que exercícios combinados são mais efetivos na manutenção da massa e função muscular em idosos obesos porque promove uma melhor síntese de proteína muscular e qualidade das células musculares. Este estudo tem importantes implicações clínicas, pois sugere que o tipo de exercício praticado nos idosos obesos está diretamente relacionado à modificação dos parâmetros desejados, o que contradiz a ideia geral de que a adesão ao exercício pelo idoso é mais importante do que o tipo de exercício realizado.


Por Ricardo A. Pinho, PhD

PPGCS/Escola de Medicina/PUCPR

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