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  • Ricardo Pinho

Por que a pandemia do COVID-19 pode agravar a “pandemia do sedentarismo”? Implicações para a saúde

Até o dia de hoje (3 de setembro de 2020 as 11:15h), o novo Corona Vírus (COVID-19) já infectou 25 602 665 pessoas em 265 países com 852 758 mortes conforme Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que aproximadamente 4 milhões de pessoas foram infectadas incluindo quase 124 mil óbitos. Somado a esses trágicos números, a pandemia tem deixado graves consequências de ordem econômica e social que, possivelmente, serão superadas a médio-longo prazo, dependendo das políticas públicas a serem adotadas. Uma dessas consequências vem sendo discutida e apontada pelos pesquisadores como tão grave e impactante quanto o próprio vírus, o agravamento da “pandemia do sedentarismo” ou “pandemia da inatividade”.

Nesses últimos meses, o distanciamento/isolamento social foi recomendado pelos órgãos de saúde e adotado por uma grande parte da população para o controle da transmissão do vírus. Embora necessário, esse “novo normal” trouxe, em consequência, uma alteração no uso do tempo destinado às atividades diárias. O tempo usado em atividades físicas diárias foi drasticamente reduzido bem como a falta de exercícios físicos regulares em ambientes externos em detrimento do tempo gasto em atividades “inativas fisicamente”, como por exemplo, o tempo destinado ao uso do computador, tempo em frente à televisão, tempo para atividades intelectuais. Não quer dizer que essas atividades não sejam importantes, pelo contrário, foram e são necessárias para a manutenção das atividades acadêmicas, profissionais e de lazer que contribuem para permanência em distanciamento/isolamento. Entretanto, o maior tempo destinado a essas atividades somadas a limitação de espaço físico para a prática de exercícios fez com que as pessoas reduzissem o tempo gasto em esforço físico, aumentado o nível de sedentarismo populacional.

O comportamento sedentário tem sido considerado um dos principais fatores de risco para o aparecimento e agravamento de doenças crônicas, como obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares, neurológicas e câncer. De acordo com a OMS, 31% dos indivíduos com 15 anos ou mais são insuficientemente ativos e aproximadamente 3,2 milhões de mortes por ano relacionadas ao sedentarismo. Em todo o mundo o custo anual em saúde devido ao sedentarismo extrapola a 50 bilhões de dólares. Mesmo com esses números impactantes, nos últimos anos, muitos países viram um aumento no sedentarismo em proporções pandêmicas e provavelmente, isso foi acelerado durante à pandemia COVID-19. Qualquer redução no sedentarismo e aumento na atividade física diária, mesmo abaixo daquilo que é recomendado - pelo menos 150 minutos por semana de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou pelo menos 75 minutos de atividade física aeróbica de intensidade vigorosa durante a semana e 2 sessões por semana de treinamento de força muscular - têm benefícios significativos para a saúde.


É certo e esperado que sairemos desse triste momento provocado pela pandemia do COVID-19 e retornaremos a “vida normal”. No entanto, a “pandemia do sedentarismo” continuará e agravada pelo COVID-19. É preciso reagir a isso, exigir políticas públicas que minimizem essa situação e, principalmente deixarmos a inércia de lado e criarmos alternativas práticas que resulte em "menos sentar e mais movimentar". Manter a atividade física diária regular é um componente indispensável para um estilo de vida saudável. Movimente-se!

Por Ricardo A. Pinho, PhD

PPGCS/Escola de Medicina/PUCPR

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